sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Subida da escada interna do MAC de Niteroi

Subida da escada interna do MAC de Niteroi

Subida da escada interna do MAC de Niteroi

Museu de Arte Contemporânea de Niteroi (RJ)



Memórias de Cálculo

A arquitetura de Oscar Niemeyer, ao definir-se essencialmente como um grande corpo branco suspenso do terreno, e ocupado principalmente por um grande salão sem pilares, exigia o cálculo de uma estrutura especial, que merece a descrição de seus aspectos mais relevantes.

O grande salão central, com 462m2, completamente livre de pilares e contornado no alto por um amplo espaço destinado a mostras menores, conhecido como mezanino, levou-nos à execução de quadros, com grandes vigas protendidas e radiais, sob o teto do Museu. Apóiam-se tais vigas em seis pilares com 50cm de diâmetro.

Os quadros de vigas e pilares formam assim uma espécie de mesa, apoiada por sua vez sobre a estrutura do primeiro pavimento (Administração e setores técnicos). As vigas em que está pendurado o mezanino foram construídas em concreto protendido e avançam em balanços de 11m sob o forro do mezanino, integrando-se hoje à articulação plástica daquele espaço museológico.

O peso dessa superestrutura, transmitido pelos pilares ou prismas da mencionada mesa ao primeiro pavimento, é sustentado por um conjunto de vigas radiais realizado em concreto protendido; do apoio rígido sobre o pilar central, essas vigas se projetam em balanços de aproximadamente 10m até a periferia circular do bojo externo do Museu.

O comportamento estrutural das vigas exigiu que a armação negativa, na parte superior delas, passasse de um lado ao outro do apoio central, de forma a equilibrar todo o arcabouço até agora descrito. De fato, o apoio central cilíndrico é oco, para permitir o transporte vertical, por elevador ou placa elevatória, de peças abrigadas no subsolo; por isso, os cabos superiores da armação, forçados a desviar-se do poço, formaram uma estrela com a armação principal das vigas em balanço.

É assim que o apoio central recebe e absorve, transmitindo-o ao terreno, todo o peso da edificação em pleno funcionamento.

Quanto às fundações, e uma vez que é cavernoso o terreno do promontório de onde o Museu de Niemeyer parece voar para a paisagem, construiu-se sapata com 16m de diâmetro e 5m de altura.

O solo local é resistente. Ressalte-se que a carga total da construção, mesmo considerando o uso do Museu e o efeito dos ventos, é inferior ao peso da terra que foi retirada para a obra; a estabilidade vem do fato de que não se está acrescentando carga suplementar ao solo.

Por fim, as rampas de acesso público foram estruturadas em grelhas de concreto protendido com caixões perdidos.

Bruno Contarini
Engenheiro civil (responsável pelo projeto do cálculo estrutural do MAC)

3 comentários:

Flavina disse...

Maq no MAC....
Fiquei impressionada com os dados sobre esse local maravilhoso. Tornou-o mais belo ainda.
Parabéns pela foto.
Luz perfeita.
Beijos meus.

Flavina disse...

“A luz não é tanto algo que revela, como é ela mesma a revelação”.
James Turrell

“Uma coisa é clarear, outra coisa é iluminar”. Iluminar é “mais” do que fornecer uma luminosidade adequada para uma determinada função; é expressar valores conotativos ao projeto, modificando, controlando e mediando a luz; possibilitando com isso a qualificação do espaço envolvente no qual se vive. Luz sendo configurada pelo seu valor expressivo, não só do ponto de vista plástico-visual, mas também perceptivo. Porque sem “(...) luz, a vida não seria possível. Sem percepção, não haveria sensibilidade nem inteligência. A luz faz para a vida aquilo que a percepção faz para a inteligência”.

A luz natural é um desses elementos “instáveis” que envolvem a arquitetura, podendo ser uma das diretrizes de projeto na identificação e caracterização de lugares específicos: lugares com baixa luminosidade, lugares com luminosidade gradual, lugares escuros com feixes de luz dramática, lugares fortemente iluminados. A matéria luminosa pode evidenciar a arquitetura, estimular a psique humana, facilitar as ações das pessoas tornando os espaços confortáveis, modificando a visão da volumetria do ambiente alterando as três dimensões da arquitetura. Também as sombras e as obscuridades são componentes relacionados à luz e através delas é possível perceber a tridimensionalidade dos objetos, conferindo ao ambiente uma magia que de outra forma não se obtém.

(TA)



Paulo Marcos Mottos Barnabé. Doutor e Mestre em Arquitetura pela FAU/USP - 2005 e 2001; Especialista em Didática do Ensino Superior pela PUC/PR em 1998; Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC/PR em 1981; Professor da Área de Projeto no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina desde 1985 e Coordenador do TFGI/UEL/2007.
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq084/arq084_01.asp

Flavina disse...

É o artista que, através da luz, sugere o sentido de sua obra, a dimensão propriamente artística de seu trabalho."
José de Souza Martins
Sociologia da Fotografia e da Imagem

Essa foto é especialmente iluminada. Um trabalho que se encaixa em todo o contexto desse livro, igualmente fantástico.